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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Perdido (ou não) na Malveira



Calma, o titulo é enganador. Eu nunca me perco e sei sempre para que ponto cardeal estou virado. Eu tenho magnetite nos dentes, característica de tempos, em que nós e os pombos teríamos um passado em comum. Não me perdi nem andei perdido, mas estive nos trilhos da Malveira e por momentos não sabia lá muito bem onde estava. Passo a explicar:

Há dois fds resolvi ir matar saudades da Malveira. Há já muitos meses que não descia naquelas encostas e se não estou em erro, a minha ultima presença naquelas bandas tinha sido com a Pitch, em autonomia. Decidi fazer o mesmo, deixei o carro cá em baixo, meti o “hardware” na mochila e fui trepando até lá acima. Chegado aquela clareira que vocês bem sabem, não tivesse já sido o palco de tanto disparate motivado pelos nervos de quem se vai meter numa embrulhada em duas rodas, foi vestir as protecções, meter o integral e começar a descer.

Logo nos primeiros metros do “ride the lightning” reparei que aquilo estava… sem trilho! Tudo completamento coberto de folhas e vegetação.A verdade é que os movimentos do corpo naquela secção já estão um tanto automatizados e já não é preciso ver o trilho. A 2ª secção, talvez a minha preferida com aquela sequencia de curvas com camber, estava limpinha, um bocado degradada, mas sem problemas. Já mais abaixo, foi quando o meu cérebro começou a dar sinais de que “está aqui alguma coisa mal”. A magnetite dos dentes dizia que eu estava no sitio certo mas os olhos diziam que estava perdido e que o sitio onde estava não era a malveira. As entradas já não são no mesmo sitio, alguns obstáculos que serviam de referencia já lá não estão, as acácias levaram um desbaste inconsciente e os restos ficaram no meio dos trilhos. Eu continuei a descer, certo de que não rumava ao sitio que queria, e de repente, no meio deste trilho novo, aparece aquele rockgarden antes de uma curva pra esquerda, que é tão característico que me deu imediatamente a certeza de onde estava. “Afinal a magnetite não engana, nem pombos, nem riders” pensei eu. A secção que já foi os voadores está completamente arrasada a bulldozer, mas fez-se ali uma manhãzinha de enduro muito à maneira.

Nesta semana, voltei a ir lá. Tal como os pombos, que à medida que repetem um trajecto, vão optimizando o percurso de modo a pouparem umas batidas de asas, eu também só preciso de passar uma vez num sitio para memorizar o caminho. E depois da penosa subida, quando eu me preparava para umas descidas em trilhos invisíveis, com pontos de referencia do estilo “ah, este era o sitio onde estava aquele salto”, dou comigo no “ride the lightning” todo limpinho. Tinha havido alguma espécie de manutenção ali. Apesar de só ter levado o integral (as protecções ficaram em casa pois eu não estava a fazer planos de me mandar pro chão), ao ver ali o velhinho trilho, pai de tantos receios e de conquistas, “à mercê” de ser desbravado, larguei-me um bocado e fui bem a abrir para quem estava na mesma máquina com que tinha subido até ali. A Pitch portou-se bem, mas levou muita porradinha e partiu um raio que já deixou a roda da frente empenada… o enduro não custa 10€ por descida, mas como em tudo na vida, “não há almoços grátis”.