segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Mafra BTT - Trilho do Sr. Heitor (e Trilho das Pontes)

O trilho do Sr. Heitor, ou trilho do Arquitecto é a joia da coroa do Mafra BTT. É um dos mais antigos (posso estar enganado, mas terá sido o primeiro trilho do Mafra BTT), e resulta da recuperação de um trilho pedonal muito antigo no vale do arquitecto, que tinha uma série de azenhas. O trilho começa na zona mais Oeste de Mafra, junto à CRIMA e termina numa capela (Nossa Senhora do Arquitecto) que fica bem perdida no meio do mato. É o mais badalado e na minha opinião talvez o mais divertido de todo o cardápio. E muito sinceramente, não há vez em que lá pelo meio não pense, “fdx, este trilho é mesmo altamente”. Por ser assim tão bom, e também por se ligar a outros nesta fantástica rede de trilhos, é um dos mais “batidos” e para onde rumam muitas das minhas peregrinações em duas rodas.

é por aqui


entre-muralhas




O triho no trailforks está classificado como verde. Tem quase 2kms de extensão e apesar de ser um trilho que se consegue fazer em ambas as direcções, é “downhill primary”, com cerca de 90m de desnível. Apesar de ser pouco inclinado, é um dos trilhos mais rápidos do menu. Em termos técnicos não há nada que não se ultrapasse com uma bike de XC, apesar de que, à medida que o trilho vai “envelhecendo”, nas zonas mais verticais, o “escoar” da terra por via da erosão tem vindo a expor mais pedras, e o trilho está progressivamente a ficar mais duro. 




under da bridge


Existe um salto, que diria que está “extremamente assinalado”, mas que só com bastante velocidade é que lá se consegue voar um bocadinho. Uma das partes mais “emblemáticas” é uma muito longa curva para a direita, sempre em offcamber, que passa por debaixo de um dos viadutos da A21 e que dá entrada para a parte de floresta do trilho, que nos leva até à Sra. Do Arquitecto. A localização da capela é mesmo remota, bem no meio do mato, mas tem uns banquinhos mesmo fixes para descansar um bocadinho e repor os líquidos.


 
deep in da woods - Capela Sra. Arquitecto

 
escadas @ Sra. Arquitecto

Como se isto não fosse suficiente para fazer valer as pedaladas desde a Ericeira até Mafra, logo a seguir ao Sr. Heitor começa a ligação ao vale do Lizandro através do Trilho das Pontes. Este é um single track que vai atravessando por diversas vezes a ribeira do Muchalforro através de uns shores, o que lhe valeu o nome. No entanto, e apesar dos esforços e das constantes manutenções do Mafra BTT, as pontes estão frequentemente destruídas pela força da água, e as que estão de pé, abanam assustadoramente à passagem. Tem cerca de 1300m, e é um trilho de pedal, apesar de ter acumulado negativo.


Trilho das Pontes


 
Trilho das Pontes


Quando disse que era um single, este é mesmo single. Por ser ao lado do rio é bastante fechado com canaviais, e em várias zonas, vamos ali bem enfiados num túnel de vegetação. A progressão, pelo menos durante o verão, é fácil e é um trilho bom para “apreciar calmamente” e desfrutar da imersão na natureza. Com frequência passam coelhos à nossa frente, e também uma espécie de mangustos / doninhas, que agora sei que se chamam (popularmente) de saca-rabos, e nas passagens de rio, é só rãs a saltar para dentro de água.

Trilho das Pontes

O trilho termina junto ao vale do lizandro, nas hortinhas que ladeiam o rio, onde também desembocam o Trilho da Amazónia e o do Medronho (este fica para vos contar noutro post).  Nos dias em que não apetece subir mais, é seguir pelas hortinhas até à Sra. Do Ó e daí, regressar pelo “paredão” até onde o mar é mais azul!


"Where the trail ends"


Vale do Lizandro

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Rise up to the occasion and make it happen

“Mas porque é que gostas tanto da Red Bull?”

Não me recordo de quem me fez esta pergunta há alguns anos, mas sei que foi a propósito de eu querer um capacete da Red Bull e sei era alguém ligado às modalidades de gravity do MTB. E lembro-me bem da resposta:

“Por tudo aquilo que já fez pelo meu desporto”.

MTB Freeride legend: Richie Schley @ Rampage 2003


Utah hospital & health services legend: Josh Bender (and Karpiel bikes' prototype)

Sim. Fez muito. E isto vindo de um gajo que gosta pouco de multinacionais e de “hypes”. Mas a Red Bull é diferente. Ainda me lembro da primeira  vez do Lisboa Downtown. Estávamos em 1999, e a Red Bull veio ao nosso país e criou um desporto “novo”: acabava de nascer, pelas suas mãos, o conceito de Downhill Urbano e Portugal ficava para sempre ligado a uma vertente radical das bicicletas. Para quem já estava ligado ao MTB, ver isto a acontecer 3 anos depois da Taça da UCI no Jamor, havia uma certa sensação de que Portugal estava definitivamente a ficar no mapa.  Mas a RB não se ficou por aqui, e logo em 2001 resolveu criar aquela que, 16 anos depois continua a ser a prova máxima do MTB de gravidade no mundo inteiro – o Red Bull Rampage. E enquanto o Downtown estagnou e acabou por não acompanhar e evolução das bikes (na verdade também não conseguiríamos aumentar a inclinação das ruas de Alfama), o Rampage foi reescrevendo as suas regras ao longo dos anos e subindo a fasquia do que era ou não ciclável.

Sabes que o circuito não é dificil quando o Carmona só lá cai 10x
Lisboa Downtown 2006 


Com o passar dos anos, esta metamorfose acabou por receber muitas criticas por parte dos MTBikers, que queriam ver o Rampage como um evento de freeride / Big Mountain e não como um circuito de slopestyle para bikes de downhill. Os icónicos Oakley Sender ou Canyon Gap eram na verdade obstáculos mais virados para o slopestyle do que para o Big Mountain. E estes eram os elementos fracturantes dos circuitos de que faziam parte, aqueles que as pessoas olhavam e colocavam a pergunta que acompanha o Rampage desde o dia 1: “será que aquela linha é ciclável?”. E a RB, ciente de que a missão do Rampage é elevar anualmente a fasquia do que é ou não ciclável, não deixou nunca que o evento não acompanhasse a evolução das bikes, e a edição deste ano, foi na minha opinião (e na de muitos), a melhor desta “2ª geração” do RBRampage.

"Mas... mas... ele está ao contrário?"
Cam Zink's 360º @ Oakley Sender


Kelly McGarry's bike after the Canyon Gap


Primeiro, porque eu não gosto muito de ver quedas. Eu sei que muita gente vai ver provas de DH para ver espetas, mas acho que esses são os que não andam de bike. Quem gosta mesmo, quer é ver “close calls”, “near misses” e “great saves”. E nesta edição, tirando uma ou duas runs que acabaram mais cedo, houve mais sucessos que falhanços. E em segundo (mas na verdade este é o motivo principal), porque as linhas deste ano voltaram a virar-se para o Big Mountain, e ver um gajo como o Kyle Strait a preferir não fazer a sua 2ª run pois está “satisfeito  com o resultado”, diz TUDO sobre a dificuldade e perigo envolvidos numa linha como a “para-chute”. E é isto que me faz todos os anos vibrar todos os anos com este evento e ficar imediatamente a desejar ver o próximo (quem sabe se um dia não será “in loco”).

 The "chute" - Big Mountain is back to Rampage 



Percebem agora porque gostava de ter um capacete da RB?











sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Seven is the new six - 2nd act

Eu estou convencido de que tenho alguns dons proféticos. Pelo menos gosto de pensar que sim. E não pensem que tenho visões ou que vejo a virgem maria numa tosta mista. O que acontece, é que com a idade, por experiência e analogia com o passado, já sabemos de antemão onde alguns caminhos desconhecidos vão desembocar no futuro. Nas bikes não é diferente. Há uns anos atrás, já aqui no blog se previa que o 650B ia ser o tamanho de roda de referência no MTB. E adivinhámos também que as bikes de super enduro iam virar isto tudo outra vez.  Apesar disto, não adivinhámos tudo…


 Zandinga!


Para quem não acompanha tão de perto o mundo do mountain biking, vou fazer o resumo. Desde o inicio desta época de 2017 que temos visto algumas novidades na taça do mundo de DH, e a comunidade anda louca com elas. A roda 26 simplemente desapareceu, e deu lugar ao novo standard, o 650B ou 27,5 para quem prefira assim. No entanto, não satisfeito com as rodas maiores, o Greg Minnaar logo numa das etapas iniciais aparece com uma bike de DH com roda 29. A ele se seguiram mais uma série de riders que decidiram passar para este diâmetro de roda, e o que começou como uma “loucura” individual do Minnaar, passou a standard em poucos meses. Mas muitos dirão que esta era uma inevitabilidade, que rodas maiores sempre foram melhores para descer (os mesmos que há uns anos diziam que uma roda maior só era boa para pedalar), mas que o diâmetro das jantes comprometia a sua resistência. À medida que o material melhorou e se tornou fiável, era expectável que esta transição ocorresse.

"Go Greg" - "Yeah booooooy!"

Agora, o que ninguém estava à espera (excepto nós aqui na GAS) era que alguém fizesse o percurso inverso. Já em 2013, quando começaram a aparecer as bikes de super enduro, escrevi aqui um post sobre isso (seven is the new six), em que dizia que estas novas bikes iam  “criar a dúvida ao pessoal do downhill, que perante um traçado sinuoso e de dificuldade técnica um pouco mais baixa, vai começar a olhar para a bike de super-enduro que por acaso também está na carrinha, e se vai por a pensar se não será que aquela bike, mais leve, com mais resposta e mais ágil, não será uma melhor opção para aquela pista”  . O que não esperava é que o gajo que viesse  a ter estas dúvidas fosse o Sam Hill. Para quem não está por dentro, o Sam Hill tem andado um bocado fora da “cena” DH e tem disputado a taça mundial de enduro (EWS). Mas na semana passada, regressou ao DH apenas para  prova do Campeonato do Mundo e a grande surpresa foi a bike que elegeu para descer – uma Nukeproof 275 – uma bike de enduro. E se a escolha, por si só já diz muito sobre as capacidades destas bikes, o resultado obtido tira todas e quaisquer dúvidas – um 6º lugar. Isto vindo de um rider que não está no DH há quase 2 anos, chega ali, e deixa para trás 50 marmanjos com “big rigs” numa pista de mundial, com a exigência que bem sabemos. É certo que a pista de Cairns tinha uma série de características que a tornavam ideal para esta experiência, mas o facto de esta ter corrido tão bem, deixou a comunidade mtbistica de queixo caído, e até a industria ficou um bocado a pensar sobre isto. Porque se o Sam, com esta bike saca um 6º lugar “sem ir aos treinos”, até que ponto continua a fazer sentido explorar comercialmente bicicletas especificas para descer, que não sobem sem ser de teleférico ou carrinha, e que ficam atrás de bikes de super enduro numa pista de downhill?

A arma do crime


Uma coisa é certa: depois de o Sam Hill ter aberto esta porta, vamos ver em 2018, campeonatos de downhill locais, nacionais e mesmo mundiais, a ser invadidos por bikes de enduro. E se os amadores, que são os gajos que compram as bikes não vão optar por bikes de DH porque não são pedaláveis e são mais lentas nas pistas de DH, vamos “emagrecer” as bikes de DH ou aumentar o nível de dificuldade das pistas? E será que isso, não vai afastar ainda mais os amadores das pistas de DH e mandá-los para o enduro,”que é mais soft e eu já não tenho idade para estas merdas”? Ou vamos vê-las exclusivamente uma vez por ano, no Rampage, onde os 62º de angulo de direcção e os 250mm na traseira fazem realmente falta? Muita tinta e projectos de CAD vão correr nos próximos tempos sobre isto…

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Lizandro Trails - Trilho das amoreiras

O trilho das amoreiras é curto. É curto e nem é particularmente desafiante. Mas a vista que proporciona é tão boa que merece um “post” só para si. Este é uma adição recente ao menu de trilhos disponíveis ali naquelas bandas. Talvez tenha tardado em lá passar porque não fica muito “em mão”: o trilho é uma alternativa “on dirt” à estrada, na descida das curvas da carvoeira, e geralmente quando lá passo, é a subir. Mas este ano, com as obras nas arribas da Carvoeira que obrigam a ter a estrada fechada durante a semana, trocaram-me as voltas e explorei mais vezes ali a zona da baleia e S. Julião. A entrada para o trilho é junto ao emblemático “Pão com chouriço e sem”, no desvio para a Baleia, e depois é rumar em direcção às ruínas do forte da Carvoeira.

 Forte da Carvoeira (ou o sítio onde supostamente estão as ruínas)


Logo aí, começa um estradão que “apenas” oferece velocidade e uma vista incrível. Por vezes existe logo ali a dúvida de ir na gáspia ou meter as mãos no travão e parar um bocado para comer uma barrinha e ficar ali a apreciar a paisagem. Numa destas incursões que por ali fiz recentemente, tive mesmo de parar: um prego com uns 10cms entrou por um lado do pneu e saiu por outro. Não costumo ficar apeado por causa de furos e ando sempre com pelo menos uma camara de ar no camel, não fosse eu sou o gajo que levou uma caixa com 10 camaras de ar para a trip dos Alpes. Mas desta vez ia ficando mesmo apeado. O estrago no pneu foi tal, que a camara de ar nova, quando a comecei a encher, começou a sair pelos buracos do pneu. Mas o espirito de engenheiro valeu-me, forrei o interior do pneu com a camara de ar antiga e com uma pressão de para aí uns 15psi lá consegui chegar até casa. Pneu para o lixo, jante empenada e um raio partido. Os típicos “10euros por descida”…


 
A vista é deslumbrante. Vale a pena parar e comer qq coisa.

Até porque se desce melhor com o estômago forradinho...


O inicio do single, com o Lizandro à esquerda



 Single tracking 1



  Single tracking 2

Depois deste estradão, entra-se no single track. Não é nada de especial, mas dá para comprimir as suspensões. A parte mais desafiante é na chegada à estrada, já junto à ponte sobre o Lizandro. Sinceramente, o mais desafiante aqui nem é o trilho… é tentar não ser atropelado. É que o trilho termina numa pequena trialeira mais vertical,  que desemboca para cima do alcatrão, de forma completamente cega,  e não existe propriamente forma de a fazer sem que no fim, fiquemos já do outro lado da estrada. A única coisa que se pode fazer é mesmo desmontar ou esperar que não passe nenhum carro naquele momento.






 A trialeira final: sempre que possivel, evitar ser atropelado



Trailstats @ trailforks.com



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mafra BTT - Trilho da Amazónia

Infelizmente, os trilhos não são todos a descer. Mas mesmo os single tracks sem pendente podem ser interessantes, e o da “Amazónia”, como foi tão correctamente baptizado pelos traibuilders , é a prova disso mesmo. Este faz parte do lote de trilhos do Mafra BTT e fica ali na zona da fronteira entre os concelhos de Sintra e de Mafra. O single começa no Carvalhal, uma terra central nesta rede de trilhos, e ladeia o Rio Lizandro até chegar quase a Montesouros, que é também local onde vários vales (e respectivos trilhos) convergem.


Trilho da Amazónia



Dry season


Por ser tão junto ao rio, é palco de uma vegetação super densa, de várias nascentes de água pelo caminho e é circundado por uma vegetação abundante e luxuriante. Daí o seu nome, pois temos ali algumas zonas que parece realmente que fomos parar a uma floresta tropical! Por esse mesmo motivo, este é um trilho que é mais para o Verão do que propriamente para o Inverno. 

sketchy shores


No Inverno, para além da lama abundante e dos shores escorregadios, não é preciso chover muito para que o Lizandro galgue as suas margens e nos deixe com água pelos joelhos. E por ser tão fechado e húmido, torna-se bastante fresco nos dias mais quentes, e algumas nascentes de água que encontramos pelo caminho são potáveis e quando este trilho foi aberto há uns anos, os colegas do Mafra BTT até lá tinham penduradas numa árvore umas canequinhas de barro para todos poderem utilizar. Claro que, à medida que foram lá passando pessoas,  as canequinhas já desapareceram…

Rain season - Trilho da Amazónia no Inverno



deep in da woods!



Mesmo durante a época seca, é um trilho de progressão lenta, com alguns skills de offroad envolvidos, ou seja… não se deixem enganar pela altimetria "suave", não é nenhuma “auto-estrada” para ciclo cross. É um verdadeiro trilho de MTB!


Where the trail ends...





Trilho da Amazónia stats @ trailforks.com

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Lizandro Trails - Trilho do Álvaro



Como prometido, vamos começar esta série sobre os trilhos ali junto à Ericeira. Curiosamente, muitos dos elementos da GAS, têm ou já tiveram uma relação de proximidade com esta vila, que para além das ondas da World Surf Reserve, do melhor pastel de nata de Lisboa e da abundância de bom peixe e marisco, tem ali uns trilhos bem bons.


O vale do Lizandro a começar a aparecer!



great days, great views, great rides





O trilho do Álvaro é vocacionado para descida e é bastante técnico, e confesso que há ali 2 secções que ainda não as consegui fazer em cima da bike. Como isto é habitualmente integrado numa volta para ir pedalar, não há integral nem protecções, mas é uma boa maneira de se chegar ao vale do Lizandro sem ser pelo alcatrão. 


No fall zone!




Começa na Lapa da Serra e vai serpenteando até ao pé do último viaduto da A21, junto à Sra do Ó. É bastante curto e inclinado, e está catalogado como “vermelho”. E não estamos a falar de “vermelho” de bike park para entretenimento familiar, é mesmo vermelho, tem pouco espaço para erros e algumas “no fall zones”.

take'em to da bridge!





A entrada e a 1ª secção é super rápida, mas lá mais para o meio, duas “chicanes” trialeiras e verticais (as tais que o travão de cabeça ainda não deixou fazer) tiram-lhe o “flow”. Sei que os Lizandro Trails já andam a tratar de “abrir” um bocado estas curvas. Até lá… desmonta-se!

Lizandro Trails - "Trilho do Álvaro"

terça-feira, 4 de julho de 2017

regresso às “origens”

A minha primeira experiência de mountain biking “a sério”, com bicicletas “a sério” e riders mais ou menos sérios, foi há muitos (muitos) anos atrás precisamente na zona da Ericeira. Lembro-me de praticamente tudo desse ride, e diria que gostei tanto mas tanto que 25 anos depois continuo agarrado às MTBs. E ali as encostas da Ericeira, Ribamar e vale do Lizandro foram sempre, ao longo destes anos,  das minhas preferidas para andar de bike. E das mais visitadas.


S. Lourenço - Ribamar



Mas a coisa ali na zona, de há uns anos para cá começou a ganhar ainda mais forma. A juntar ao já extenso mapa mental que tenho do local, com quase todos os sítios bons para andar de bicicleta já identificados ao longo dos anos, uma “local trail association” – MAFRA BTT – tem feito ali um trabalho de trailbuilding absolutamente brutal, recuperando alguns caminhos antigos e abrindo outros. A juntar a isto, um grupo de riders (Lizandro Trails) com vocações mais orientadas à gravidade tem também dado ali o seu contributo. Tudo junto, criou-se uma rede de trilhos enorme e interessante, acompanhada pelas vistas fantásticas ali do sitio.


 Sunset @ lizandro trails


Assim, e em tom comemorativo dos 10 anos da GAS , vou aqui tentar ir fazendo um apanhado dos trilhos de que ali tenho desfrutado nos últimos tempos.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

time flies!

Já passaram aqui uns meses (até anos) valentes desde que foi publicado um post aqui na G.A.S.
E ainda se passou mais tempo desde que que a GAS se juntou para ir andar de bike, mas a efeméride justificava ser assinalada, e aqui estou eu, para vos dizer que:


A GAS fez 10 anos!!


quinta-feira, 2 de julho de 2015

PDS - day 6 - Au revoir

Para o ultimo dia, estava-nos reservado o pior.
 
Depois de tudo arrumado e de termos a casa limpa, ligámos à mme. Letitia para ir lá ter connosco e nos devolver o dinheirinho que tinha de caução. Não se esqueçam que somos da europa do sul e o dinheirinho nos faz muita falta… Mas assim que chegou, e apesar de não ter reparado logo na braçadeira da SS, começou um dos momentos mais surreais da nossa estadia… entra a senhora pela casa adentro a gritar “sortir sortir” e a mandar vir connosco em francês porque a casa não estava limpa. Sempre aos berros, a coisa subiu um bocado de tom quando decidiu fechar uma porta em cima do Jay, mas deu-se mal, pois o Jay travou a porta com o pé e no retorno, foi a nazi que levou com ela. Antes que o confronto passasse para outro nível, metemos o Jay e o Carlos a tirar as coisas de casa, e fiquei eu e o Telmo a tratar de receber a caução de volta. Ela contava em Francês, e pela enésima vez naqueles dias, perguntava-me a mim mesmo como é que alguém decide dizer “oitenta” como sendo “quatro vintes”. É realmente estupido. Conhecia o binário, o decimal, e o hexa-decimal… o “vigésimal” ainda não, e parece-me que continuo sem perceber porque é que noventa e cinco são “quatro vintes e quinze”. À medida que a nazi debitava palavras em francês, só me lembrava do clássico dos S.O.D., “Speak English or Die”. Já com o material todo no exterior e com o dinheiro na mão, despedimo-nos convenientemente da Eva Braun, que quando tentou arrancar com o carro do estacionamento o deixou ir abaixo. A risada alta e em tom de gozo que este quatro marmanjos imediatamente proferiram valeram um dedo esticado para fora do carro quando já se encontrava a uma distância segura.

Mas ainda estava o stress a meio. O nosso transfer teimava em não aparecer e quando ligámos a saber o que se passava, percebemos que o nosso condutor tinha tirado uma folga. Estavamos a ficar apertados de tempo, e após uma enervante e longuíssima espera, aparece finalmente o nosso transfer, com mais de duas horas de atraso. Iamos ter de fazer uma corrida até ao aeroporto. A viagem foi feita sempre a olhar para o relógio, e chegámos ao aeroporto 5 minutos antes de se fechar o check-in. E quando finalmente o fizemos, descobrimos que o nosso voo estava super atrasado!

Deu para visitar o aeroporto e fazer umas compras nas free-shops. Depois de embarcados, este era o voo onde íamos ter tratamento VIP, pois o Telmo era amigo de um amigo que tinha um amigo naquela tripulação! Uma simpática hospedeira veio dizer-nos que dois de nós podiam aterrar no cockpit. Um seria o Telmo o outro, por sorteio, foi o Jay J. Apesar do dia stressante, esta foi uma excelente forma de terminarmos a nossa trip ao passportes!

Não quero terminar sem deixar aqui um abraço a estes três malucos que comigo fizeram esta trip. Inesquecível bros!

E como na vida, tem de haver sempre um objectivo inatingível, começa-se a ouvir uns sussurros que parece que dizem “Whistler”, “Kamloops”, “Mammoth Mountain”, “Kamikaze”, “Repack” , “Utah” e “Marin County”. Quem sabe se em 2020….

PDS Day 5 - Happy BirthJay

O domingo ia ser o nosso ultimo dia por aquelas bandas. Apesar de chover ainda mais que no dia anterior, havia muita vontade de ir andar de bike. O Jay e o Telmo tinham uma GT Fury para ir desbravar o BP de Chatel e umas bikes daquelas não podiam ficar ali paradas! O Carlos já estava mais na onde de começar a desmontar a Berg,e a mim, com o cansaço acumulado e com o dia a pedir mais mantinha do que calções de lycra, apetecia-me mais uma volta de descompressão a apreciar a paisagem envolvente do que um ride de integral, a ver só os 20 metros de trilho à minha frente e a lutar pela vida com a lama nos trilhos.

O Jay fazia 35 anos, e muito correctamente, quis comemorá-los nas inclinadas pistas de Chatel! Não havendo velas para apagar, há trilhos por desbravar!

Enquanto Jay e o Telmo se equipavam para uma “donilzada”, eu vestia os calçonitos e punha o penico na cabeça. Fui trepando devagarinho até ao bike park de chatel e a chuva intensa dos últimos dois dias tinha deixado a zona um pouco diferente de quando tínhamos chegado, e a meio da viagem, fui presenteado com a vista magnifica de uma cascata com uns 100 metros de altura. Depois de chegado ao BP, acabei por também encontrar o Jay e o Telmo que já tinham lama até aos dentes, mas que, apesar de ensopados, apresentavam um sorriso que não deixava enganar! Subi ainda mais um pouco e comecei o retorno até ao chalet, que ia ser feito por um caminho diferente.

Foi nessa alternativa que encontrei um parque para “low speed skills”, que apesar de parecer divertido, estava um bocado impraticável por as madeiras se encontrarem super escorregadias. Ainda deu para brincar um bocado antes de regressar ao chalet para se começar a operação de desmontagem da Pitch. Entretanto, chegaram o Jay e o Telmo e cerca de 10 kilos de lama. É que os “miúdos” não contentes do banho de lama que tinham levado, decidiram ir lavar-se a um rio. Os vídeos contam o resto da historia!

Depois dos banhos tomados, fomos até Chatel mais uma vez, para nos despedirmos do Alex e da terrinha e regressamos ao chalet para começar a arrumar as tralhas, que o próximo dia, era o do regresso!

Here we go again

Calma pessoal. É verdade que estivemos adormecidos, mas ainda não nos fomos embora de vez. A verdade é que depois de um relato tão épico como o da nossa bike trip do ano passado, parece-me que, qualquer que seja a noticia que pense em publicar, é demasiado pequena para quem já fez rides tão "em grande". Desde os Alpes que todos os palcos me parecem pequenos, todas as descidas curtas, e todas as encostas pouco inclinadas

Apesar de , em quase um ano desde o ultimo post, haver tanto para contar, o que me trouxe aqui outra vez, foi novamente a nossa trip do ano passado. Ainda havia dois dias por "contar" e tinha ficado prometido um "extended edit" do Pass'portes. Aproveitei estas 3 semanas de férias para o fazer (tem para aí  uns 90m!), e agora só falta fazer a ante-estreia lá em casa, acompanhada por umas cervejas (idealmente umas Hoegaarden) e uns bons petiscos :)

domingo, 26 de outubro de 2014

PDS day 4 - the aftermath

O 4º dia, apesar de ninguém o querer admitir, estava à partida condenado. Ninguém leva uma sova daquelas e acorda no dia seguinte às 7 da manhã a pensar em ir andar de bicicleta. Mas há sempre uns teimosos… Acordámos já bem tarde, por volta das 11 da manhã e chovia copiosamente. Os primeiros pensamentos do dia, depois do “boa puto, conseguiste”, foram solidários com os fellow riders que estavam a fazer o passportes naquele dia. Se aquilo com tempo seco tinha sido difícil, nem queria imaginar os desgraçadinhos que estavam a fazer aquilo à chuva. O dia e as dores musculares convidavam a ficar na cama, mas não só tinha sido o desgraçado que dormia no sofá, como nem me passava pela cabeça estar ali sem ir andar de bike.


 the switchback kings

O Telmo e o Jay tinham alugado duas montadas de DH, mas o dia de chuva e as dores no corpo deixaram o Jay “com um mau feeling” para o dia, e a Lapierre 720DH estava ali sozinha… essa foi a primeira borla do dia e deixei a Pitch no estaleiro, pedi o canhão ao Jay, e com o Telmo, fizemo-nos à estrada rumo ao bike park de Chatel. Depois de termos andado uma boa meia hora debaixo de chuva, decidimos começar a pedir boleia e depois de umas tentativas falhadas, acabámos por ter mais uma borla… uma rapariga simpática, a Emilie, decidiu ter pena de nós e levou-nos a nós e às bikes na sua pickup até ao bike park. 

 rainy days...

Entretanto, e como já era hora de almoço e a fome começou a apertar, decidimos que, atendendo à nossa condição de “portugueses sob assistência”, devíamos de tentar ir comer de borla até à terrinha que nos tinha recebido tão bem no dia anterior: Les Lindarets. Subimos os dois teleféricos de Chatel e descemos até ao vale onde havia umas tartiflettes. Foi um fartote de lama e de “close calls”, pois o piso estava difícil, mas os pulsos doíam tanto que quase que era mais seguro não travar. Chegamos sorrateiramente a Les Lindarets, e de um modo sereno, típico de quem já come à conta dos Europeus (do norte) há uns anos valentes, fomos para ao pé do paddock, comemos umas tartiflettes e bebemos umas Rivellas como se nada fosse connosco.

undercover smooth arrival @ Les Lindarets

Com a barriga mais composta andámos a fazer umas descidas em modo super slow motion entre Lindarets e Chatel, a rebolar na lama e a fazer drifts, mas de facto, o corpo estava super moído e, a meio da tarde decidimos ir andando até Chatel. A lama era tanta, que na fila para lavagem das bikes,  havia uns putos a tirar lama da bike e a fazer bolas para atirar! Do bike park até ao nosso chalet era sempre a descer, mas ainda nos esperava a subida até à vila. Como tema do dia era a palavra “gratuito” estávamos a ficar um pouco desiludidos em termos de ir a pé até à vila, e quando passou um autocarro, levantámos as mãos a pedir colinho e para nosso espanto, o motorista parou uns metros à frente. Mais uma borla!



 A merecida recompensa!

 
Depois de entregues as bikes num estado mais aceitável que o nosso, fomos espalhar lama para uma esplanada onde nos parecia que estavam umas Hoegaarden à nossa espera. Dois “pints” depois, e já alegremente alcoolizados, fomos até ao chalet, onde o Jay e o Carlos nos aguardavam para o jantar.


 Let the good times roll...