domingo, 1 de julho de 2012
GAS Oldschool
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Outeiro da Vela
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A descida do Jay
terça-feira, 19 de junho de 2012
Salgueirinha
Saludos desde la piscina
terça-feira, 27 de março de 2012
A sopa para as nalgas
Assim, sem ninguém esperar, no ultimo fds fui com o Carlos e com o Tó dar uma volta de bike, para a zona verde que o Carlos apelida de “o meu quintal”. É que a verdade é que ele conhece os caminhos todos de Monsanto, inclusive aqueles que já nem existem e outros que, passamos por eles e nem damos conta que eles lá estão.
O entusiasmo era bastante, de tal modo que nem quase acusei o facto de às 8h00 já estar em benfica, totalmente equipado e pronto a raidar. Quando o Carlos e o Tó chegaram ainda fomos beber um cafezinho antes de arrancarmos para a mata. Chegados ao “pulmão de lisboa”, coloquei o meu destino inteiramente nas mãos destes dois senhores, uma vez que ali, eram eles os locals. As várias voltas que tenho dado por Monsanto ultimamente sempre serviram para ir reconhecendo alguns dos sítios por onde passávamos, sem no entanto fazer ideia de como ali tinha chegado. No entanto o ritmo estava mesmo de passeio, pois para além de eles os dois terem ido mandar umas descidas no sábado, o Tó estava precisamente com a mesma bike com que tinha andado a desbravar Sintra há um dia. Convenhamos que 180 atrás e 170 DC à frente não é a melhor configuração para pedalar, mas este homem é um verdadeiro allrounder, e nem precisa de uma bike com essas características. É evidente que passou a manhã aos pulinhos no amortecedor sempre que se subia, mas nas descidas desaparecia trilho abaixo, e quando eu acabava de baixar o selim já ele tinha acabado a descida.
Fomos andando, de spot em spot, com as indicações sempre precisas do Carlos, que ainda tinha uns conselhos na manga… no momento de pausa para reabastecimento começa a falar do cansaço e que quando chegasse a casa ia fazer uma “sopa para as nalgas”. Fiquei interessado na coisa, não por causa das nalgas em si, mas porque toda a vida andei a ouvir falar de mezinhas e engenharias de baixo nível associadas ao ciclismo: desde pasta de dentes nos aros para travar melhor, passando pelos cubinhos de marmelada cobertos com açúcar, e até mesmo a famosa fita de gaze nas manetes de travão. A verdade é que todas, com maior ou menor sucesso, funcionavam, o que me pôs imediatamente alerta para a “sopa para as nalgas” de que o Carlos começava a falar… Perguntei imediatamente, “conta lá, como é que isso funciona?”, e quando eu pensava que ia ouvir aí de uma infusão marada de água, diluente, dentes de alho e hortelã, o Carlos responde “Arranjas um alguidar com água e metes as nalgas lá dentro”. Não consegui parar de rir durante 5 minutos, tal foi o desfasamento da resposta face à expectativa. Esta meteu as minhas “engenharias de baixo nível” num patamar bem elevado!
Depois de conhecida a cura para os males que ainda estavam para vir e já sem qualquer medo de que as nalgas viessem a doer, montámo-nos novamente nas burras e continuámos a subir, para a seguir descer! Foi uma manhã excelente, já não andava de bike com nenhum destes dois senhores há algum tempo para além do ride, começou a por-se em marcha a organização da bike trip de 2012 que se tudo correr bem, vai rumar em Julho a La Pinilla!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Fe2O3
O óxido ferro forma-se pela combinação de átomos de ferro com oxigénio, podendo assumir várias formas na natureza como a magnetite ou hematite, sendo esta ultima, a forma mais comum, também conhecida como ferrugem. Por esta hora, os caros leitores estão na dúvida se vieram para ao blog errado ou se perdi os últimos restos de sanidade que ainda tenho pelo que vou esclarecer quanto antes… o Fe2O3 abunda na GAS. A stinky para pegar de manhã teve de levar bala, a corrente da hotchili apresenta uma bonita cor entre o âmbar e o vermelho (tipo cor de ferrugem), as articulações dos pilotos rangem com os impactos, para além de uma grande quantidade de material oxidado na parte do cérebro que nos faz “não ter medo”.
Jay e "plastikman perninhas de alicate"
Apesar destes problemas relacionados com a falta de uso e com a pouca actividade que têm tido os representantes da GAS, este Sábado fomos ranger um bocado até ao Jamor, com direito a coletes e integrais para esconder toda a ferrugem que por aqui abunda. Os primeiros a chegar foram o “plastikman” e eu, que nos entretemos à espera do Jay a usar uns fumos especiais que lubrificam as articulações. Depois de vestido com a armadura medieval e com o capacete , resolvi fazer ali os primeiros obstáculos da linha. A ferrugem não deixava fazer lá grande coisa. Entretanto chegou o Jay e por ali continuámos a tentar perceber porque é que todos os kickers pareciam rampas de lançamento espacial apontadas à ursa menor, os gaps nos pareciam um “fosso dos leões” e os breves milissegundos no ar nos pareciam dois minutos em ausência de gravidade…
Hotchili finalmente fora da toca
Mas à medida que se faziam passagens, parecia-nos a nós que estes fenómenos iam ficando mais domesticados, e lá se começou a fazer umas linhas sem pensar muito se íamos ao chão ou não. E não fomos, o que só por si revela que andámos muito longe de outros tempos em que caiamos pelo menos duas vezes em cada descida. Bons tempos! Depois de tão reforçada a nossa confiança, fomos descendo pelo trilho abaixo para irmos fazer outros obstáculos, incursão esta que terminou na penosa subida até ao ponto mais alto. Aí, e depois de reabastecimento, continuaram-se a fazer uns obstáculos.
"Objects in mirror are closer than they appear"
Até que, na última descida (se não fosse mesmo mesmo a última tinha passado a ser), no roadgap, que até foi feito com alguma velocidade e desprovido de grandes receios, na recepção, o desviador entrou pela roda adentro e arrancou-se do dropout que ficou ligeiramente torto com o tratamento que levou. Nada que não se esperasse. No meio de tanta ferrugem alguma coisa ia ceder, e antes a bike do que eu. Este pequeno incidente no final voltou a sustentar vozes que por aí se levantam afirmando que o downhill custa 10€ em cada descida, só em material para a bike!
10€ por descida
Mesmo com os estragos foi uma manhã super bem passada a lembrar os old times em que se confraternizava mais do que se andava de bicicleta.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
domingueiros à terça
Ultimamente isto tem tido pouco de downhill e muito de allmountain. É que a própria bike é tão clara nas suas intenções que não deixa muitas alternativas ao sobe e desce “leg assisted”. Se era isto que eu queria, pois bem, é mesmo isto que tenho tido e até que tenho estado a gostar, porque sempre que o declive é negativo dá para tirar a ferrugem das articulações. E assim, lá tenho ido a todas as zonas verdes na área de Lisboa à procura de umas descidas radicais: sintra, belas, Monsanto e jamor, todas feitas com maior ou menor esforço e maior ou menor destreza.
Mas a última (re)descoberta foi mesmo o Jamor. Depois de uns dois anos em que tudo o que por lá se passava era a erosão dos saltos dos tempos antes do parque aventura, o lado este do complexo do Jamor volta a dar cartas. Tudo começou numa volta de Domingo cujo objectivo era mesmo ser uma volta de Domingo a passar nos sítios onde aqueles bikers domingueiros costumam ir… Jamor, Belem e Monsanto, por esta ordem.Fui por linda-a-velha e cheguei num instante à zona “radical” do Jamor, onde pensava que ia encontrar uns single tracks meio abandonados. Mas deparei-me imediatamente com uma série de saltos fresquinhos… baixei o selim, e lá fui eu por ali abaixo. A linha, roça o perfeito. Curvas e contra curvas com meio metro de apoio, wallrides, pequenos saltos e gaps. Atendendo a que ia de lycra, uma grande parte dos saltos ficou para outro dia, mas diverti-me tanto na descida que já só pensava em lá voltar no próximo dia de ride mas com integral, protecções e “longo curso”.
Gonçalo aka "plastikman", o único rider que eu conheço com
suspensão incorporada: um elastómero em vez do tendão de Aquiles
A questão é que “o próximo da de ride” já estava marcado para 3ª feira de carnaval com o Gonçalo. Ainda pensei em 1001 esquemas de como levar as 3 bikes no carro, mas acabei por levar apenas a "canivete suiço". O ride foi muito calminho, quase sempre em plano, com direito a foto com estilo domingueiro. Mas logo ao início, no Jamor, ainda se fez uma descida a comprimir a suspa nas curvas!
Ao que parece, este Sábado o jay vai tirar a ferrugem da stinky, eu vou tirar a ferrugem à chili e vamos tentar tirar fotos que não envergonhem a herança da GAS!
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
em autonomia
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
4h 44'
Se me dissessem há 2 anos atrás que ia fazê-la, provavelmente a minha resposta seria:
- eu fazê-la? mas nao tens maozinhas??
ahhh como as coisas mudam... sim continuo a fazê-las mas de uma maneira mais pausada e discreta, no entanto nao é dessas que vos quero falar... falo-vos da mais antiga e mítica prova de todas elas! sim essa mesmo! aquela prova que desde sempre encerra os JOGOS OLÍMPICOS (ate me arrepiei só de escrever) e que fizeram com Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernando Mamede se tornassem em heróis nacionais num tempo em que nao existiam CR7 nem miúdos ricos e mimados, onde o sucesso vinha sempre depois de muito trabalho, onde a fama era uma consequência e nao um fim... pois bem meus amigos desde o dia 4 Dezembro de 2011 entrei num clube restrito e de certa forma elitista, mas perfeitamente alcançável, consegui fazer uma MARATONA, ou seja consegui correr 42km!
sim é dificil, alias muito dificil especialmente se fizerem como eu fiz, decidi fazê-la mas sem treinar mesmo. o ultimo treino que fiz foi em meados de Novembro e depois comecei a pensar, se calhar é melhor nao correr muito para nao me cansar e assim ainda consigo evitar lesoes (esta é uma conclusão que acontece apenas pq as continuo a fazer), e assim andei a mentalizar-me durante um mes que o psicológico é mais forte que o fisico, género mind over matter...! e foi mesmo!
De todos os pormenores e pequenos nadas que fazem aquela manha ser inesquecivel para mim, apenas partilho dois.
Ia ja no ultimo terço da prova a subir a Almirante Reis (tao ingreme que é) a correr quando de repente ao meu lado surgem 2 gajos que me ultrapassam assim facil facil... a cena é que os cabroes iam.. a andar...!! fdx fdp mataram-me ali mesmo!
como ja estva tao pertinho do fim nao podia deixar ir abaixo nas canetas por isso em vez de chorar comecei me a rir e decidi seguir-lhes o passo mas desta vez tb fui a andar, e ia bem mais rapido que o meu suposto passo de corrida... fui me a rir quase ate ao fim a pensar neste episodio!
O outro grande momento foi mesmo pleno de emoçao. Quando cheguei ao estadio para completar os derradeiros metros da minha prova na entrada do recinto estavam dois velhos companheiros nestas lides (os mesmos que me acompanham nas viagens a fatima) que assim que me viram ficaram ainda mais surpresos que eu por me verem ali... começaram logo a gritar pelo meu nome o que ja de si foi um espetaculo e me deixou todo arrepiadinho e ao pulinhos... qd assim de repente sai disparada uma criança +- da idade da minha e vai ter com o pai para acabarem a prova juntos... epa nao sei o porquê nem como mas aquela cena comoveu-me de tal forma que comecei a chorar, pensei que ia me dar um verdadeiro ataque de choro (genero choro da bebedeira) pela euforia de estar a segundos de acabar a maratona... mas apos a 1ª lagrima nao caiu mais nenhuma.. mas eu continuava a sentir-me a chorar mas ja nao estava a chorar e estava a achar aquela sensaçao bué da estranha... estava a chorar desalmadamente mas nao havia lagrimas afinal o que se tava passar...?? de repente lembrei me que em esforço o corpo consome todos os sais e liquidos existentes no corpinho...conclusao ja nao tinha cloreto de sodio nem H2O que me permitissem chorar normalmente e compulsivamente...!
So mais um pormenor para este evento decidi fazer um corte de cabelo extremo e levei uma camisola com o meu nome nas costas (JAY) resultado; foram varios os momentos em que as pessoas chamavam por mim e me apoiavam contribuindo tb eles para que este meu objectivo fosse completado com todo o sucesso e logo á 1ªtentiva.
provavelmente este foi o meu ultimo post (secante) sobre corridas de atletismo, pois para 2012 esta previsto o regresso em força ás duas rodas com especial enfoque para as bicicletas malukas. estou ansioso por injectar novamente adrenalina ás manhas de sabado!
foto:
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=2656181171448&set=p.2656181171448&type=1&theat
percurso:
http://www.mapmyrun.com/routes/view/20662770
abraços
jay
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Summer's gone
Nestes últimos dias de sol do inicio do mês, deram-se uns grandes rides na zona da Ericeira. Farto de, à saída de casa, rumar preferencialmente para norte, para a zona de Ribamar e Lagoa, decidi fazer umas investidas mais a Sul, para as zonas da Baleia e Assafora. Depois de uma observação do Google Earth e das cartas militares da zona, fiquei com uma ideia da topologia da zona e assim, manter a fama de gajo que nunca se perde e sabe sempre para que ponto cardeal está virado.
Um dos primeiros desafios que a zona oferecia era a subida da Carvoeira, mas que na realidade, acabou por não ser tão dura quanto me fazia inicialmente crer, em parte devido aos quilómetros que ultimamente a pitch tem percorrido comigo a dar-lhe gás e outra parte, devido à pitch em si, que a subir, se porta quase tão bem como a descer. Estou cada vez mais satisfeito com a recente aquisição. Depois de vencida a subida e com cento e tal metros de energia potencial para “gastar” comecei por dar umas voltas ali pela zona, em plano. Realmente, descobrir trilhos “novos” tem uma imensa magia e parece que o MTB tem bastante mais graça quando não se sabe bem o caminho de volta. Dá tempo para apreciar a paisagem, mais não seja, à procura de uma ligação para o “monte ali da frente” sem descer muito para voltar a subir. Depois de alguns becos sem saída, acabei numa descida muito interessante até à praia de S. Julião. Dali, já conhecia uma ligação por um single track simplesmente fantástico, que vai ali pela beira de uma ravina que ladeia o Rio Lizandro e dai até à Ericeira não há nada que enganar. Geralmente, e como o clima o permitia, estas voltas terminavam na piscina a fazer terapia de água fria nos músculos que ficavam logo prontos para a próxima.
Já da parte da tarde, e quando havia pernas e vontade para isso, ainda ia dar uma volta “informal” à procura de obstáculos ou sítios onde mandar uns saltitos. A escolha, apesar de ter sido variada entre umas escadarias na vila, low speed skils nas furnas e wallrides mesmo à porta de casa, apontou com frequência para a zona do forte de Mil Regos e dos “dirts naturais” que ali há. Agora, há que aguardar… pelas férias e pelo Verão!
domingo, 11 de setembro de 2011
Danny Hart world champion
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Matines de Verão
Os dias têm estado bons para andar, com pouco calor, e Belas tem sido o destino. Para além destes rides, tenho feito questão de levar a pitch, em autonomia, até a alguns spots aqui perto, alguns deles já extintos, como o antigo spot do cacem freeride team, agora completamente destruído, tendo ficado apenas uns montinhos de terra e uma série de tábuas e pregos. O mesmo destino, talvez menos fatídico, levou o Jamor, que das várias linhas abertas, sobram meia dúzia de saltos e bermas. Em monsanto, sei que se andam a construir por lá algumas coisas, e fui até lá ontem, e monsanto, mesmo sem linhas com saltos construidos, tem singles brutais e saltos naturais com fartura. Falta fazer Sintra em "autonomia", sem "shuttles" a subir!
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Tu não és um mountain biker
Sim, tens a bike, e o equipamento, mas…falta-te algo. Podes ter entrado neste mundo há poucos ou muitos anos, podes ser novo ou velho, és da cidade ou do campo…mas não és um mountain biker.
O btt é um desporto com cerca de 30 anos, que começou a aparecer neste nosso cantinho no final dos anos 80,e teve uma grande fase de expansão no final dos anos 90. Na altura, ser “radical” era o que estava a dar, e btt era sinónimo de competição, e então era normal ver provas de cross country com centenas de inscritos, apenas para fazerem algumas voltas a um circuito, a todo gás. Mas depressa muitos desses participantes mudaram de ideias, porque por essa altura, as bikes eram tudo menos confortáveis, estáveis ou eficientes. Suspensão e travões eram áreas ainda em desenvolvimento, e os componentes com alguma qualidade eram inacessíveis á maioria dos praticantes. Dos que ficaram, uns continuaram na competição, mas a maior parte (e eram bem poucos) dedicou-se aos primeiros passeios organizados (guiados, nas calmas!),ou mesmo a andar por aí sozinhos, à descoberta, de trilhos e dos próprios limites. Andar sozinho, para quem começou a fazer btt nos anos 90, era muitas vezes a única hipótese, não havia net ou telemóveis para combinar pedaladas, e os praticantes eram menos que poucos!
1991, começava a minha epopeia aos comandos de uma coisa destas
Mas as bikes foram evoluindo, e ficando mais apelativas. Confortáveis, fiáveis, eficientes e acima de tudo, baratas. Começou a ser possível fazer mais de 4h no mato sem ficar maltratado das costas, e principalmente, sem que a bike perdesse peças pelo caminho.
1994 – A minha Nishiki Alien - Designed by Richard Cunningham – enough said!
E então, muita gente descobre o btt. Uns por influência de outros, porque o médico mandou fazer exercício, porque as únicas bikes à venda em grandes superfícies eram rodas 26, porque “quando era puto divertia-me a andar de bike, deixa lá ver se ainda…”, porque…várias coisas. E a coisa começa a crescer. A competição a sério passa para segundo plano, e os passeios, até aqui, meros encontros de malta que queria conhecer novos trilhos e confraternizar com pessoas que partilhavam o mesmo gosto, começam transformar-se. Por pedido de alguns participantes, a quilometragem aumenta, e a dificuldade técnica diminui. Deixam de ser guiados e com andamento controlado, para haverem percursos marcados e de andamento livre. Aqui acaba muito do convívio e entreajuda presente nos passeios guiados, para aparecerem os “picanços” e “treinos para a prova tal”. Cicloturistas de estrada são atraídos para estes passeios de longa distância, por não haverem na sua modalidade suficientes passeios de andamento livre, à imagem de Espanha ou França, por exemplo. Habituados a “mordomias” como assistência técnica, abastecimentos fartos e almoços de gastronomia típica da região, cedo impõem às organizações tratamento igual nestes passeios, e aqui acaba um dos princípios basilares do btt: a autosuficiência. A ideia de levar umas barras de cereais ou umas sandes no bolso do jersey é abandonada, e passa a ser a organização a ter a função/obrigação de alimentar antes, durante e depois do passeio os participantes, com todos os custos que isso acarreta. Brindes, banhos (“quentes, ou então nada feito para o ano que vem!”)…e temos algo completamente diferente do que tínhamos há apenas alguns poucos anos.
A avaliar pelo letring, o que é mesmo importante é haver porco no espeto
E então aqui estás tu. Compraste uma bike e juntaste-te ao grupo. Como não queres ficar mal visto entre os teus pares, foste para aquela de marca conhecida, talvez até a de carbono, porque é “mais rápida”, e equipaste-a com pneus para rolar bem, fininhos e com tacos baixos. Como não tens técnica, andas pelos estradões, e não te aventuras com a tua bike por sítios difíceis, porque “é perigoso”, ”perdes o ritmo”, ou “assim é difícil fazer 80km esta manhã”. Nunca te aventuras a descobrir caminhos novos, muito menos sozinho, mesmo com o telemóvel, porque “pode não haver rede”, e…vais andar para a estrada, ignorando que praticamente todos os acidentes realmente graves com bicicletas são na sua maioria atropelamentos. E começas a fazer kms na estrada, e talvez compres umas rodas para montar uns slicks, ou até uma bike de estrada! Ganhas ritmo, poupas o material…e não fazes btt.
Suspensão total e pneus slick 1.75 – Alguém me ajuda a perceber o conceito!?!
E aí vais tu para as maratonas, provas feitas à tua medida: Muitos quilómetros de estradão, sem zonas técnicas para não criar engarrafamentos, com abastecimentos e almoço dignos de um festival gastronómico (mas não de um atleta), assistência técnica…e até o belo do carro-vassoura! Mais um dorsal para a vasta colecção… Aqui competes contra outros como tu, não existe tempo para conversas ou entreajuda, tens de dar o teu melhor, fazer menos tempo que o ano passado, ficar à frente do amigo que te tem andado a “picar”...e à frente de tantos que apenas foram para se divertir, que até pararam para almoçar, tirar fotos, ou ajudar quem teve um problema mecânico…mas o que interessa mesmo é que fizeste “237º em 2500!”. Mal sabes tu, que se alinhasses à partida de uma prova de verdadeiro btt, não terias a mínima hipótese e ias ao chão duas vezes na primeira zona técnica.
Mas espera, nem tudo está perdido, tu não estás perdido!
Pega na tua bike e vai experimentar coisas. Subidas e descidas que vês os outros fazerem e nem nunca tentaste. Pára no alto das subidas e aprecia a vista. Vai a passeios verdadeiramente para passear e conhecer novos trilhos com os amigos e mete conversa com outros participantes, vais ver que não é assim tão mau. Inscreve-te numa prova de xc e vê o que o btt de competição tem sido até aqui, quem sabe se não gostas…Troca essa bike pela que realmente precisas, não são as opiniões dos outros que te fazem rodar os cranks. Se te doem as costas, se calhar essa bike de XC racing, que nunca vais usar numa prova de XC a sério, não é a melhor opção para ti, não é?
Não sigas planos de treino feitos para profissionais, se não tens vida para isso e se não és profissional. O mais certo é ficares saturado e largares a bike…anda quando te apetece. Se gostas mesmo, vai-te apetecer quase sempre. Não te leves demasiado a sério, deixa de treinar e começa a andar de bicicleta. DIVERTE-TE, lembra-te de quando eras miúdo e andavas de bicicleta, será que já te esqueceste? Respeita os outros, a Natureza, a ti mesmo. Respeita a tua bike! Ela foi desenhada e construída para andar no mato, em terreno acidentado, e não na estrada. Não é assim tão difícil, e acredita em mim, vais gostar muito mais deste desporto.
NOTA DO EDITOR: este texto foi adaptado de um que encontrei na net e que não resisti a partilhar convosco. Quem conhece a minha relação com o BTT, sabe que este texto, bem que podia ter sido integralmente escrito por mim, mas não foi, o que para mim é um alívio... fiquei a saber que não sou o único que acha que médias de 30kmh em VERDADEIRO BTT, estão só ao alcance dos senhores da WC...
























