quinta-feira, 5 de maio de 2022

Twenty-six (and GAS) ain’t dead

 

Passados mais de 3 anos desde o último post aqui na GAS, estava na altura de fazer uma prova de vida. Até porque, boa parte destes últimos 3 anos foram para todos um balanceamento difícil entre o anormal e o fim do mundo, e o termo "prova de vida" não é nada desadequado. E este post já esteve para sair muitas vezes, mas parece que nunca havia a altura certa. A questão é que, de tragédia em tragédia e de vaga em vaga, nunca há a altura certa.

 

Seasons change and mad things

 don't re-arrange...



Em primeiro, por ordem cronológica, sobrevivi à paternidade. E agora já percebo porque é que o “directors cut” de umas gravações em Belas  que o Rui nos prometeu que ia fazer em 2008 ou 2009 continua a não aparecer. Isto de ser pai é uma ocupação a tempo inteiro para sempre. E como gostei tanto de ter tido a minha vida alvoraçada para sempre, achei que, “agora que já me desgracei pode vir mais um”. E vem. Mas é mais uma.

 

next gen 

 

Em segundo, tenho sobrevivido à pandemia. Eu sei que “pandemia” já é um tema “de-mode”, bem sei que já ninguém quer saber, e que bom bom era esquecer isso, mas a verdade, é que ainda não acabou. Ninguém se quer lembrar do primeiro confinamento, o unico que foi digno de guião para filme. Esse foi o único que me meteu a fazer rolos... Mas confesso que houve alguns momentos de rara beleza durante a pandemia... as ruas vazias, os céus sem aviões e o mato... com bastantes mais pessoas.

 

Rolos... nunca foram bom sinal... 

 

E agora, que nos preparávamos para celebrar, lá teremos de tentar sobreviver a braços com uma guerra “que já não é num sitio qualquer”, é aqui ao lado. Há uns anos que o mundo não tem ido para melhor. Umas guerras, uma crise, uma pandemia, outra crise, uma guerra... As bikes estão fantásticas, mas o resto...

 

survival kit 

 

Mas, quem sobreviveu heroicamente a estes anos, e até está agora bem mais nova que há 3 anos atrás é a Pitch. A minha querida Pitch, companheira de muitas aventuras, estava relegada para “2ª bike” há muito tempo. E era uma “2ª bike” que estava mais perto de já não ser realmente ciclável e ser só mais uma coxa como aquela que acabou nos rolos. Mas levou um eixo, levou uns rolamentos, uns pozinhos e uma transmissão 1x11 como mandam as regras em 2022. E agora  temos dado umas voltas valentes pelos trilhos da Ericeira que ela já conhece de cor. E sabe sempre bem voltar às rodas 26...

 

 

quarta-feira, 20 de março de 2019

Masters 40




De há uns anos para cá, o dia de aniversário é sempre dia de ride. Mesmo quando estava a trabalhar na “rua castigo”, este dia era sempre reservado para mim. Desta vez não foi diferente, apesar de a efeméride ser assinalável. Masters 40. Um verdadeiro veterano. Mas com este título, chegaram também os problemas dos veteranos... dores nas costas. É certo que a culpa foi minha: tentar (e conseguir) tirar uma saca com 50Kg do Terrano fez-me uma contractura que apanhou o nervo ciático, e tive de estar dois dias praticamente imobilizado. E a ficha da veterania caiu-me, quando outro dia,  em conversa com um master60 (mas do triatlo), dei por mim a trocar histórias não de quedas, mas sim das maleitas da idade que me afectavam a mim e a ele. Um queixa-se das costas, outro do equilíbrio, mas nada relacionado com quedas...




Há mais algumas "horas de voo" acumuladas desde este dia (2009)


Já passou uma semana desde que fui andar de bike, e aqui o veterano está cheio de saudades dos trilhos. E infelizmente, é quase certo que os próximos rides como “master40” vão ser dedicados a pisos regulares e pouco inclinados!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Lizandro Trails - Trilho da Pedra


O trilho da Pedra é o que fica mais longe do “epicentro” dos trilhos do Lizandro. A deslocação até esta descida pela rede de trilhos do Mafra BTT, com partida (e regresso) da Ericeira envolve cerca de 40Kms e 1000m de acumulado quase todos em “offroad”, por isso é daquelas voltas que convém sair cedo, evitar o calor e levar um lanchinho. Para quem não sabe, Cheleiros, uma velha conhecida de quem gostava de descidas radicais nos anos 90s,  fica algures a meio caminho entre Mafra e Belas, e situada num profundíssimo vale escavado pelo Lizandro. No topo do monte, até já se consegue ver lá bem ao fundo, a silhueta do famoso pinheiro disfarçado de antena (ou vice-versa) do Belas Clube Campo.




  




 



O trilho começa perto de Igreja-a-Nova e desce até ao rio Lizandro, numa extensão de quase 2kms e um desnível de +/- 150m. Apesar de longo, rápido e inclinado, não é um trilho muito ao meu gosto. Faltam aquelas curvas que puxam um bocado pela pilotagem, que pedem um bocadinho de travão na roda traseira para a fazer deslizar, e que exigem uma posição correcta dos pés durante a curva (aquela em que os ex-fellow riders se enganavam!).





 


Mas atenção, não deixa de ser um trilho que vale a pena visitar. Apesar de ser muito “a direito”, não se chama “Trilho da Pedra” à toa. Nem é preciso ganhar muita velocidade para que os afloramentos rochosos e algumas trialeiras de pedras expostas se tornem desafiantes, e há ali algumas passagens em que é preciso abrir bem os olhos e escolher bem a linha antecipadamente, senão é quase certo que vais ver as pedras do trilho da pedra um bocadinho mais de perto. E já na vila de Cheleiros, no final do trilho, temos ali uns metros de DHU pelo meio das casas, com umas escadarias à mistura que são perfeitas para terminar a descida em beleza.


 



terça-feira, 4 de setembro de 2018

Ribamar BTT - Trilho dos Coxos


O trilho dos coxos já existe há algum tempo, mas levou recentemente uma operação de cosmética para a prova organizada pelo Ribamar BTT. Faz a ligação entre o lado sul da praia dos coxos e o forte de São Lourenço mesmo junto à ravina. E sei que alguns riders que estiveram nesta prova acharam esta secção demasiado “intensa”, pois tem ali umas zonas em que uma boa parte desmontou.


O trilho tem algumas zonas de “túnel de vegetação” e muitas passagens em madeira, mas a zona mais dificil é mesmo uma vertical, que a meio tem um shore em que se os travões estiverem a ser demasiado apertados a traseira vai começar a fugir. É que naquela zona, seja inverno ou verão, as madeiras estão sempre molhadas.




Mas o motivo deste post não é apenas o trilho, que apesar de divertido, não tem pendente. O pessoal das mtb tem alguns “haters” de serviço há muitos anos... caçadores, pastores, ecologistas e mais recentemente os trailrunners. Mas com quem eu não esperava que viesse a haver problemas, pois nem sequer competimos pelo mesmo espaço, são os surfers. Que naquela zona, até percebo que andem chateados, pois a Ericeira nos últimos anos virou um enorme “surf camp”, e com frequência  no Lizandro, Ribeira de Ilhas ou no Matadouro, estão mais de 100 maçaricos com pranchas de alta flutuabilidade a aprender a fazer surf. E claro que, quem quer fazer surf a sério, com este “crowd” não consegue. E se o grafitti na praia de Ribeira de Ilhas onde se lê “If you have rental boards, fuck you” tem o seu alvo bem definido, aquilo que se passou na madrugada antes da tal prova, falhou completamente o que pretendia atingir.




A encosta que vai desde o antigo moínho até à praia está  a ser alvo de enormes obras, provavelmente para lojar mais um “surf camp”.  Estão a ser removidas toneladas de terra, e neste momento, estão pelo menos uma 10 máquinas pesadas a escavacar furiosamente essa encosta. Mas um palhacinho, certamente motivado em fazer um post bombástico nas “redes que vieram dar voz a quem devia estar calado”, resolveu passar à acção, e como não teve coragem de se acorrentar a uma árvore e assim impedir os bulldozers de destruir aquele espaço, virou-se para o single track revitalizado pelo Ribamar BTT, e andou a destruir as passagens de madeira. Valeu à organização da prova, ter enviado um “scout” logo pela manhã para avaliar o percurso, que detectou o problema e permitiu que fosse recuperado a tempo

        

Já dizia o meu avô: "Entradas de leão, saídas de jerico". Depois de nas redes sociais não ter recolhido os likes que tanto desejava e ter passado pela vergonha de levar por essa via uma lição sobre o que é ou não legal fazer na WSR, o sabotador terá ficado quieto, e o trilho está lá para todos desfrutarem. Pelo menos enquanto as máquinas pesadas que efectivamente estão a destruir aquela encosta, não chegam ali.