quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

True MTB roots



A semana passada foi um tanto ou quanto negra relativamente ao ciclismo. As declarações do Armstrong ( ou strong arm, atendendo  a que já se injectou mais vezes do que o mais famoso carochito de Queluz, o Ramalho) caíram que nem uma bomba no mundo ciclístico. A mim, só veio confirmar o que já se sabia  há muitos anos – o ciclismo está carregadinho de doping, e existe, até certo grau, algum encobrimento por parte da UCI. Talvez seja por isso que a UCI e seus súbditos da FPC dizem “o ciclismo de estrada é que é o ciclismo profissional”. Eu, pessoalmente, não sou um grande activista do anti doping, porque o desporto de alta competição está carregado dele e o que é doping ou não é sempre duvidável… proteínas ou cafeína são doping? O meu próprio sangue é doping? Será a alimentação doping? Ou até a raça? Sim, porque todos sabemos que nunca vai haver um etíope, magrinho e subnutrido a ganhar corridas de  100m nem um africano, cuja densidade óssea é maior que nos caucasianos, a ganhar 1000m bruços. Ou até haverá doping nas senhoras, que por disfunção hormonal têm mais bigode do que eu? Muito poderia ser dito sobre isto, mas o que me trás aqui, é precisamente a postura antagonista a esta realidade, o “true roots” do MTB.





Este sábado, vi um documentário que há muito queria ver: “Klunkerz: a film about mountain bikes” que se centra na origem da nossa amada actividade. Podia ter escrito “o nosso amado desporto”, mas isto não é bem um desporto. O Covas diria que é “um desporto com forte componente lúdica”, mas os hippies californianos que começaram a levar as bikes para as montanhas diriam que é “uma actividade lúdica com componente desportiva”. Estes hippies, não são uns hippies quaisquer, estamos a falar de todas as personagens que estão no MTB hall of fame: Charlie Kelly, Gary Fisher, Joe Breeze, Tom Ritchey, etc, que no inicio dos anos 70 começaram a meter pneus grossos e guiadores oversize nas bikes pasteleiras dos anos 50. Todos eles, ciclistas de estrada com mais ou menos sucesso desportivo, depois do treino da manhã, juntavam-se com os amigos para irem fazer umas descidas radicais em Marin County.





E a palavra de ordem para estes pioneiros era “fun”. Quando perceberam quer a coisa era mais “fun” se tivessem um desviador atrás, puseram um, Quando perceberam que os quadros em cromoly eram mais “fun”, pediram ao Joe Breeze e Tom Ritchey que começassem a soldar umas coisas e é quando começa a aparecer o formato em “diamante” que hoje reconhecemos como o standard do MTB. Quando perceberam que estas bikes eram “fun enough” para permitir pedalar até ao cimo do monte, fizeram-no. À medida que as bikes evoluíam e eram cada vez mais “fun”, independentemente do sentido vertical em que se ia, convertiam-se muitos riders a este novo conceito, e um dia, o Ritchey deu-lhes o nome pelo qual, nós, a descendência directa destes hippies Californianos,  as viríamos a conhecer – as Mountain Bikes.







O Ritchey? Mas a primeira mountain bike não foi a Specialized Stumpjumper, perguntariam vocês? Ao que eu responderia, “não, não foi”. E agora já sei o porquê do meu ódio à Specialized, que apesar de enraizado há muitos anos, não tinha, na verdade, uma sustentação válida e assente em factos: depois do Ritchey ter finalmente desenhado e soldado os primeiros quadros de MTB, o Mike Sinyard (o boss da Specialized) comprou um. Imediatamente, o Gary Fisher ficou preocupado com tal aquisição. Receio mais que fundado, pois poucos meses depois estava no mercado uma réplica da mountain bike do Tom Ritchey, mas “made in Taiwan” e chamada Specialized Stumpjumper. Depois de explicado o ódio intrínseco que habita o coração de todo o mountain biker (mesmo que seja o envergonhado dono de uma bike desta marca), faltava só revelar um pequeno detalhe que tudo expõe sobre o MTB e sobre as suas intenções como desporto: o primeiro “prize Money” que houve no mundo das bicicletas de montanha, que foi atribuído ao Joe Breeze, vencedor da primeira corrida de DH cronometrada, a “repack”. Nada mais, nada menos do que “a bag of smokables”. É verdade, o MTB até promove o uso de doping, mas não é de landrolonas, testosteronas, curtizona ou efedrina. É que no MTB, até o doping é recreativo!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Zandinga



Sobrevivemos ao apocalipse Maia! Depois de uma previsão tão falhada, deviamos escusar-nos a outras previsões, pois nem temos essa tradição aqui no blog, mas cheira-me que vamos ter um ano animado no mundo das bikes. Aqui ficam algumas das coisas que li nas borras do café:
 
1 – O declínio dos canhões de DH (e das anorécticas do XC)
Vamos ser francos, e tentar perceber a quem é que serve um canhão de DH. É obvio que se estás em competição, terás de ter um, e mesmo assim será sempre discutível se aquela pista carece de um angulo de direcção de 62º e de 240mm na traseira, ou se iria ser mais rápido numa bike mais ágil. Mas para quem não anda na competição, para quem anda por gozo, um canhão não pedalável, sem autonomia, acaba por ficar encostado à espera de um dia com carrinha, do teleférico de um bike park ou de um dia ter paciência para andar a empurrar uma bike monte acima.
 
 
 
2 – Finalmente, o enduro
O engenheiros trabalharam duro neste conceito. Foram precisos muitos anos para se chegar a estas bikes. Foi precisos os amortecedores evoluirem, foi preciso o aluminio evoluir, foram precisos muitos projectos de CAD, suspensões novas, lock-out's, mudanças com 11 carretos e aquilo que começou por serem bikes de sobem mal e descem mais ou menos, que partem na testa e nas escoras,  à medida que foi refinado, acabou em peças de engenharia fantásticas, que traduzem aquilo que eu considero ser o verdadeiro espírito MTB – o all rounding! Sim, o all rounding sempre existiu, mas quando os trilhos se complicavam, começava-se a deixar peças pelo caminho, chegava-se todo partido e as bikes caiam que nem tordos, e os riders com elas. Neste momento, temos máquinas de 13Kg capazes de enfrentar praticamente qualquer descida, mas que não bombeiam ao pedalar e que sobem como uma hardtail subia há 10 anos.


 
 
3- Enduro for life
 Se isto vai ser o futuro do MTB e vamos voltar, tal como era no inicio dos ’90, a ter o MTB como sendo uma “multi-disciplina”, implica novas competições. E vamos vê-las aí a explodir, e quantidade de pessoal que vai aderir vai ser incrível, porque para fazer a prova sem ligar à classificação nem é preciso ter genes de maratonista Queniano como no XC, nem é preciso ter genes kamikazes a correr no sangue como no DH. É uma solução de compromisso onde muita gente se encontra, mas que competitivamente se encontrava num vazio. Tenho sempre algum receio de ver "provas" chegarem em grande a um determinado nicho. Há sempre "importações" que tendem a estragá-lo. Eu bem vi há muitos anos como o cliclismo de estrada, através da UCI influenciou o XC, e como o motocross e snowboard influenciaram o DH, Mas o enduro é tão "just for fun", tão ligado ao mountain bike e às colinas de Marin County, que não tem uma influência externa onde ir beber.


 
4 – Seatpost drop – o tubo de selim automático
Como é que ninguem se lembrou disto mais cedo? A invenção não é de agora, mas começa a ter preços praticáveis. Na minha modesta opinião é talvez a maior invenção que vi nascer desde a minha entrada no MTB. Com um simples botão, uma mudança radical de geometria da bike – literalmente do XC ao DH com um só clique – sem paragem para subir ou descer selim, sem perda de “flow”, apenas com um clique. É supremamente genial. Vamos começar a ver isto a vir de origem nas bikes de enduro, mas suspeito que cada vez mais o pessoal do DH de competição vai aderir a isto para ultrapassar zonas de pedal. É a invenção do século. Andámos durante anos a falar de "curso ajustável", suspensão com bloqueio, propedal, mas a verdadeira polivalência estava ao alcance de um botão.
 
 
 
 5 - 650B
Durante anos, 26 polegadas foi um dado adquirido. Nem os regulamentos da UCI permitiam outro tamanho de rodas portanto não era um assunto propriamente aberto a discussão. Mas o povo não é sereno, é inquieto e questionador, e começámos a ver uns "rebeldes" a lançarem no mercado umas bikes, que tinham roda 29 e pareciam mountain bikes. Mas não eram, porque as verdadeiras mountain bikes são de roda 26, dizia a UCI. À medida que mais rebeldes se juntavam à causa, outras causas se juntavam aos rebeldes, e já não era só roda 26 e 29, já se falava de 24, 700C, ISO406 e 650B. Mas os conservadores, nos quais eu me incluia, vitima de formatação MTBistica dos anos 90, dizia que 26 é que era, 29 era muito grande e só fazia sentido em quadros XL para pessoal com 2 metros, e o 24 era pequeno demais, só faria sentido em dirt jump. Acontece é que os engenheiros não são parvos, e recuperaram um tamanho, entre o 26 e o 29. Na verdade o 650B é um 27,5. É óbvio que se fica com uma maior capacidade de superar obstáculos, mas sem parecer uma mountain bike desenvolvida em Chernobyl como parecem as 29ers. E pelo facto de no ultimo Rampage umas 650B terem sacado um 3º lugar, muitas bocas que diziam que uma roda maior só é boa para pedalar, tiveram de se calar e a discussão está mais acesa que nunca.
 

 


 
Bom ano de 2013 e bons rides!!

 







segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Enduro contra a crise




Há muitos anos, talvez há tantos quanto os que ando de bike, que me deparo com uma enorme dificuldade em escolher a modalidade, dentro do MTB, que melhor “me assenta”. XC é para pessoal subnutrido com 2% de gordura, em Portugal não há dual nem 4x e o trial é muito parado para o meu gosto. Já o downhill “à antiga” servia perfeitamente, mas, quando “regressei” às bikes em 2007, o downhill tinha evoluído monstruosamente, e já se tinha dividido em sub modalidades com o freeride, slopestyle, big mountain, avalanches,etc… e nenhuma desta me assentava bem. Por um lado não há big mountains em Portugal e poucos ou nenhuns meios mecânicos de ascensão por cá existem, por outro, não há “big balls” para os saltos de fé do freeride e slopestyle. Para além disso, houve a debandada geral dos elementos da GAS e esta deserção muito contribuiu para que nunca se tenha resolvido o eterno problema do transporte. Perante isto, persistia a dúvida, fazer ou não fazer downhill?

Never ending singles

A resposta estava mais perto do que imaginava, aliás, já a tinha dado há muito tempo… em tempos idos o downhill fazia-se em qualquer caminho com inclinação. E para lá chegar, era de bike. O sacrifício da subida era recompensado com o gozo da descida. Simples né?
Não, “né” de todo. É que isto era com a bike do downhill do antigamente, porque agora, com 240mm atrás e 200mm à frente, não se chega lá acima, pelo menos a pedalar. Mas calma, não está tudo perdido. A mesma evolução tecnológica que permite ângulos de direcção de 61º também desbravou outros caminhos, nomeadamente o das “bicicletas de longo curso pedaláveis”. E assim, perante a necessidade comercial de se venderem estas novas bikes, se baptizou uma modalidade que sempre existiu, mas que nunca tinha tido nome: o Enduro. A evolução tecnológica é substancialmente maior do que a do conceito, sendo que este último se resume a “subir, para depois descer”. Já em termos das bikes, dizem muitos “especialistas” que as all-mountain  / enduro são o topo da evolução tecnológica das 2 rodas. Não gosto muito destas falácias comerciais, mas até concordo com os marketeers, motivo pelo qual já tive duas desta “raça”.


 Abençoada com uma geometria multifacetada


O que me levou a hoje escrever este post foi o passeio excelente que dei ontem na zona da Serra da Carregueira. É que tocou praticamente em todas as pequenas coisas que me fazem adorar este desporto… grandes vistas, o sossego do campo, a pica das descidas, os singles fechadinhos, os trilhos novos, a lama nos dentes, etc. Foi um passeio extenso, mais de 3 horas de bike, mas as enduristas têm uma posição de condução descomprometida com o cronómetro, são mais confortáveis que muitos sofás, e por isso, não custou nada. Para além disso, o facto de ser tão pedalável, permitiu-me, numa só manhã, visitar 3 spots de “pistas” (reparem que escrevo pistas, e não trilhos), um deles descoberto por mero acaso. A primeira incursão foi no antigo spot do CFT, que depois de muitos anos a sofrer erosão, voltou a ter actividade e já tem um wallride e mais uns saltos montados. Dali, rumei até à zona da pedreira da prisão e daí entrei no Belas CC. E foi aí que descobri um trilho novo, com inicio na famosa antena disfarçada de pinheiro, bem no coração do BCC. Não sei quanto tempo vai durar aquilo, atendendo à sua localização tão inusitada, e por isso fiz questão de o descer 2 vezes, com saltos e tudo. Dali, foi rumar até à mata de Belas e às pistas dos “Maus Caminhos”. Apesar de ter ido ao chão e de ter um belo lanho na canela direita, cheguei a casa satisfeito e com o problema do “downhill sem transporte” resolvido. E é muito mais barato, perfeitamente adequado aos tempos de contenção que vivemos!


Water resistant

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Perdido (ou não) na Malveira



Calma, o titulo é enganador. Eu nunca me perco e sei sempre para que ponto cardeal estou virado. Eu tenho magnetite nos dentes, característica de tempos, em que nós e os pombos teríamos um passado em comum. Não me perdi nem andei perdido, mas estive nos trilhos da Malveira e por momentos não sabia lá muito bem onde estava. Passo a explicar:

Há dois fds resolvi ir matar saudades da Malveira. Há já muitos meses que não descia naquelas encostas e se não estou em erro, a minha ultima presença naquelas bandas tinha sido com a Pitch, em autonomia. Decidi fazer o mesmo, deixei o carro cá em baixo, meti o “hardware” na mochila e fui trepando até lá acima. Chegado aquela clareira que vocês bem sabem, não tivesse já sido o palco de tanto disparate motivado pelos nervos de quem se vai meter numa embrulhada em duas rodas, foi vestir as protecções, meter o integral e começar a descer.

Logo nos primeiros metros do “ride the lightning” reparei que aquilo estava… sem trilho! Tudo completamento coberto de folhas e vegetação.A verdade é que os movimentos do corpo naquela secção já estão um tanto automatizados e já não é preciso ver o trilho. A 2ª secção, talvez a minha preferida com aquela sequencia de curvas com camber, estava limpinha, um bocado degradada, mas sem problemas. Já mais abaixo, foi quando o meu cérebro começou a dar sinais de que “está aqui alguma coisa mal”. A magnetite dos dentes dizia que eu estava no sitio certo mas os olhos diziam que estava perdido e que o sitio onde estava não era a malveira. As entradas já não são no mesmo sitio, alguns obstáculos que serviam de referencia já lá não estão, as acácias levaram um desbaste inconsciente e os restos ficaram no meio dos trilhos. Eu continuei a descer, certo de que não rumava ao sitio que queria, e de repente, no meio deste trilho novo, aparece aquele rockgarden antes de uma curva pra esquerda, que é tão característico que me deu imediatamente a certeza de onde estava. “Afinal a magnetite não engana, nem pombos, nem riders” pensei eu. A secção que já foi os voadores está completamente arrasada a bulldozer, mas fez-se ali uma manhãzinha de enduro muito à maneira.

Nesta semana, voltei a ir lá. Tal como os pombos, que à medida que repetem um trajecto, vão optimizando o percurso de modo a pouparem umas batidas de asas, eu também só preciso de passar uma vez num sitio para memorizar o caminho. E depois da penosa subida, quando eu me preparava para umas descidas em trilhos invisíveis, com pontos de referencia do estilo “ah, este era o sitio onde estava aquele salto”, dou comigo no “ride the lightning” todo limpinho. Tinha havido alguma espécie de manutenção ali. Apesar de só ter levado o integral (as protecções ficaram em casa pois eu não estava a fazer planos de me mandar pro chão), ao ver ali o velhinho trilho, pai de tantos receios e de conquistas, “à mercê” de ser desbravado, larguei-me um bocado e fui bem a abrir para quem estava na mesma máquina com que tinha subido até ali. A Pitch portou-se bem, mas levou muita porradinha e partiu um raio que já deixou a roda da frente empenada… o enduro não custa 10€ por descida, mas como em tudo na vida, “não há almoços grátis”.

domingo, 1 de julho de 2012

GAS Oldschool

Há já algum tempo que é tema de conversa entre os nossos membros o paradeiro de um edit de videos que ficou prometido há coisa de 4 anos pelo nosso amigo xê, que nos levou uma manhã para belas com umas camaras, bikes, protecções e muito aparato. As filmagens foram feitas, mas o tal "edit", o "directors cut", como preferirem, nunca apareceu. "ah tenho o mac avariado", "ah não tenho espaço em disco, sabes comé, isto não são camaras de 10 megapixel", "ah agora não posso que fui pai", foram algumas das justificações que todos ouvimos, e tendo isto em mente, decidi fazer eu um pequeno apanhado de alguns momentos da GAS. 






sexta-feira, 22 de junho de 2012

Outeiro da Vela

O Outeiro da Vela é um spot de dirts, que já acolheu alguns campeonatos nacionais. Para além disso, o extinto ou adormecido CPFR fazia lá algumas formações, e existia também uma pequena pista de dual / 4x, mas onde só passa um de cada vez. Já tinhamos visitado este spot há uns anos, e tive curiosidade de la ir outra vez. O sítio ainda existe mas sem as manutenções frequentes do CPFR está tudo um bocado em mau estado. O antigo drop que fazia esgotar as suspas da chili, é agora um montinho de pedras saltável, a pista está suja e a linha de dirts mais acessivel (obviamente a minha), tem o kicker do primeiro table desfeito, o que condiciona os outros 3 saltos. Mas mesmo assim, deu para curtir nos releves. Fiquei foi sem bateria a meio do trilho...





quarta-feira, 20 de junho de 2012

A descida do Jay

A descida do Jay há já muitos anos que faz parte do cardápio dos spots aqui da Ericeira, e é quase sempre incluída nos "loops" que faço ali para os lados norte. Por ser tantas vezes frequentada, já me deixou algumas marcas no corpo, não fosse o palco do "cotovelo do sub", uma curva contra curva famosa por ter rebentado o cotovelo ao sub aqui há uns anos... Não tem nada de especial, mas feita no prego dá para curtir. Aqui fica:



terça-feira, 19 de junho de 2012

Salgueirinha

Já que a montada de DH continua à espera que eu leve o drop out "hand made" (bikes exclusivas, com 10 anos, e tal...), tenho andado aqui na zona Oeste numa de All Mountain. O primeiro spot nessa onda que queria visitar era o forte de mil regos, e depois de uns saltos falhados, houve um menos falhado que me resultou num furo e nuns minutos valentes com a bike pela mão. Reposta a pressão no pneu traseiro, rumei hoje a um spot perto das caldas da rainha. Bom, não é bem de All Mountain, e mais um spot bacano para ir curtir com os amigos e com os canhões, e depois subir a pé. Mas tem uma série de saltinhos, e curvas giras de se fazer...


Saludos desde la piscina

Começaram as férias!!


 Single Track do Lizandro




A 1ª do ano... as andorinhas anunciam a primavera...
as cobras, o verão

terça-feira, 27 de março de 2012

A sopa para as nalgas

Assim, sem ninguém esperar, no ultimo fds fui com o Carlos e com o Tó dar uma volta de bike, para a zona verde que o Carlos apelida de “o meu quintal”. É que a verdade é que ele conhece os caminhos todos de Monsanto, inclusive aqueles que já nem existem e outros que, passamos por eles e nem damos conta que eles lá estão.


O entusiasmo era bastante, de tal modo que nem quase acusei o facto de às 8h00 já estar em benfica, totalmente equipado e pronto a raidar. Quando o Carlos e o Tó chegaram ainda fomos beber um cafezinho antes de arrancarmos para a mata. Chegados ao “pulmão de lisboa”, coloquei o meu destino inteiramente nas mãos destes dois senhores, uma vez que ali, eram eles os locals. As várias voltas que tenho dado por Monsanto ultimamente sempre serviram para ir reconhecendo alguns dos sítios por onde passávamos, sem no entanto fazer ideia de como ali tinha chegado. No entanto o ritmo estava mesmo de passeio, pois para além de eles os dois terem ido mandar umas descidas no sábado, o Tó estava precisamente com a mesma bike com que tinha andado a desbravar Sintra há um dia. Convenhamos que 180 atrás e 170 DC à frente não é a melhor configuração para pedalar, mas este homem é um verdadeiro allrounder, e nem precisa de uma bike com essas características. É evidente que passou a manhã aos pulinhos no amortecedor sempre que se subia, mas nas descidas desaparecia trilho abaixo, e quando eu acabava de baixar o selim já ele tinha acabado a descida.


Fomos andando, de spot em spot, com as indicações sempre precisas do Carlos, que ainda tinha uns conselhos na manga… no momento de pausa para reabastecimento começa a falar do cansaço e que quando chegasse a casa ia fazer uma “sopa para as nalgas”. Fiquei interessado na coisa, não por causa das nalgas em si, mas porque toda a vida andei a ouvir falar de mezinhas e engenharias de baixo nível associadas ao ciclismo: desde pasta de dentes nos aros para travar melhor, passando pelos cubinhos de marmelada cobertos com açúcar, e até mesmo a famosa fita de gaze nas manetes de travão. A verdade é que todas, com maior ou menor sucesso, funcionavam, o que me pôs imediatamente alerta para a “sopa para as nalgas” de que o Carlos começava a falar… Perguntei imediatamente, “conta lá, como é que isso funciona?”, e quando eu pensava que ia ouvir aí de uma infusão marada de água, diluente, dentes de alho e hortelã, o Carlos responde “Arranjas um alguidar com água e metes as nalgas lá dentro”. Não consegui parar de rir durante 5 minutos, tal foi o desfasamento da resposta face à expectativa. Esta meteu as minhas “engenharias de baixo nível” num patamar bem elevado!


Depois de conhecida a cura para os males que ainda estavam para vir e já sem qualquer medo de que as nalgas viessem a doer, montámo-nos novamente nas burras e continuámos a subir, para a seguir descer! Foi uma manhã excelente, já não andava de bike com nenhum destes dois senhores há algum tempo para além do ride, começou a por-se em marcha a organização da bike trip de 2012 que se tudo correr bem, vai rumar em Julho a La Pinilla!